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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

DIAS E TEMPOS PENITENCIAIS



OS DIAS E TEMPOS PENITENCIAIS, EM TODA A IGREJA, SÃO TODAS AS SEXTAS-FEIRAS DO ANO E O TEMPO DA QUARESMA.
 (CÂN 1250)


Fonte: Código de Direito Canônico

Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Elas não têm medo dos cabelos brancos (IV)!

 
Assumir os cabelos brancos expõe o corpo tal como é, encarando o que nos está a acontecer a todos: envelhecer. Falámos com mulheres que tomaram essa decisão e não querem voltar atrás. 

Nos últimos anos afirmou-se várias vezes que o cinzento é o novo preto. Os mais de 50 tons de cinzento estão na moda não só na roupa, mas também no cabelo. Rihanna, Cara Delevingne ou Lady Gaga adotaram a certa altura os cabelos brancos. Pela internet, a hashtag #grannyhair revela milhares de mulheres jovens que descoloraram ou pintaram o cabelos de branco, sem que isso tenha feito delas avozinhas.

É um paradoxo fácil de perceber que os únicos cabelos brancos que não estão na moda sejam os naturais, aqueles que aparecem com a idade (ou não), os que não se escolhem como e onde devem aparecer: o ideal é a juventude e, em alguns casos, o cabelo é o primeiro a lembrar-nos que o tempo continua a correr, o futuro e a velhice são inevitáveis. “E então?”, perguntam as quatro mulheres que se seguem, entre os 45 e os 64 anos. Todas elas assumem os seus cabelos brancos de olhos fixos no inegável cronómetro e desafiadores para a sociedade. Não são invisíveis, como diz o mito das mulheres de cabelos grisalhos; pelo contrário, toda a gente repara nelas.

Mantêm o cabelo assim porque é bonito, porque não têm tempo ou dinheiro para a manutenção de um cabelo bem pintado, porque querem levantar o queixo e dizer que estão presentes como são, sem pedirem desculpas. Para todas foi uma escolha que lhes libertou a cabeça de quaisquer pressões e que nos permitiu falar do que é estético, político e da velhice.

 
Kimberley Pearl, 64 anos, bailarina e atriz na Companhia Maior

Sempre gostou dos seus cabelos brancos?

Primeiro fiquei um bocado chateada quando começaram a aparecer — um não importa, mas depois começam a chegar muitos, muitos. Tinha colegas que diziam “com a tua idade não devias ter o cabelo assim, és tão jovem de espírito, devias ter o cabelo pintado”. Então pus henna. Já tinha pintado por causa de várias peças em que dançava, por exemplo — tive de ser cigana e pintei o cabelo com seis cores escuras diferentes para ficar escuro mas com reflexos. Durou seis ou oito meses e ficou de todas as cores até sair — gostei imenso, mudei o guarda-fato todo por causa das cores do cabelo. Fiz montes de coisas com o meu cabelo, cortei, deixei crescer, uma vez estava a pôr henna em casa e deixei demasiado tempo porque estava a falar com uma pessoa. Fiquei com uma coroa de laranja, não conseguia tirar. Decidi pedir [ajuda] a uma cabeleireira, fiquei lá quase o dia inteiro. Ela coloriu o cabelo todo e depois fez madeixas e no fim daquele tempo todo — estava marcado para as nove da manhã, fiquei até às cinco da tarde, e odiava estar lá dentro — vi uma senhora chegar com um cabelo natural, preto e branco, sal e pimenta, tão lindo aquele cabelo, e disse: “nunca mais”.

Kimberley nasceu no Alabama e isso ainda se nota na sua pronúncia. Quando chegou à Europa, aos 21 anos, já se tinha formado como bailarina em Boston e ficou em Portugal porque “estava bom tempo”. Também porque entrou logo para a Companhia de Bailado Verde-Gaio, que mais tarde deu origem à Companhia Nacional de Bailado, de que também fez parte. À saída de uma aula de dança com vista para o Tejo diz que ainda gostava de voltar a fazer trabalhos de modelo, como o que fez em março de 2016 para Filipe Faísca na ModaLisboa. Era uma coleção que o designer dizia ser “sem idade” e foi Kim, de cabelo branco armado num rabo de cavalo despenteado que deu o tom ao abrir o desfile. “Curiosamente nunca fui modelo de cabelos”, diz, enquanto arranja uma justificação — “o meu cabelo é muito forte e eles têm medo”.

Decidiu assim, de um momento para o outro?

Assim. Eu vi que isto é natural, isto é que é bonito. Por mais que uma pessoa faça madeixas e por mais que tente fazer coisas para realçar, a cor é sempre a mesma, sempre o mesmo tom. E a cor natural tem montes de cores, ninguém tem só uma. Para fazer como deve ser tinha de ir ao cabeleireiro e eu não gosto de estar sentada no cabeleireiro. A manutenção é chata: uma pessoa olha para o espelho e está lindíssimo, mas depois vêm as raízes e é feio, tem de estar sempre a contar as semanas, é um frete. E aquele dia foi mesmo desastroso para mim, estar ali tantas horas. Quando vi aquela senhora vi que nunca mais ia pintar o meu cabelo.


Que idade tinha?

Tinha uns 57. Comecei a ter os primeiros cabelos brancos aos 50 e poucos, aos 54 já estava a experimentar coisas, como a henna e assim — tentei sempre coisas naturais, mas quando fui dessa vez ao cabeleireiro foi com os produtos deles. Depois demorou assim uns quatro ou cinco anos para crescer e depois cortei. Eu adoro o cabelo branco, sempre tive uma pancada com cabelo branco, até tive uma Barbie com cabelo branco, loiro platinado.

Sendo assim, porque é que demorou a abraçar os cabelos brancos?

O meu pai aos 65 já tinha o cabelo todo branquinho e eu pensava “ótimo, também vou ter assim”. Só que eu não me lembrava que o meu pai começou por ter só alguns cabelos brancos de lado, mas nos homens fica giro, nas mulheres vem alguém e diz “ah! isso não fica giro”. Além disso, pensei: se trato do cabelo distraio das rugas, mas não há nada a fazer, as rugas são o pior, não há nada que uma pessoa possa fazer. Mas demora muito tempo a tirar tudo. O mais difícil é não tocar, estar meio colorido e meio com as raízes. Essa parte foi dolorosa. Mas nós fazíamos tantos penteados na dança — eu ainda estava ativa — que não fazia mal, escondiam-se.

"A manutenção [de pintar o cabelo] é chata: uma pessoa olha para o espelho e está lindíssimo, mas depois vêm as raízes e é feio, tem de estar sempre a contar as semanas, é um frete."

Kimberley Pearl 
Teve uma carreira em que se é muito atento ao aspeto físico. Como é que foi estar a trabalhar nesse momento da transição?

Somos muito atentos à estética. Eu era muito desleixada com as raízes, não tinha o hábito de estar sempre a pintar durante o tempo em que andava em experimentações. Ou então cortava para disfarçar. Tinha duas ou três colegas que não gostavam muito disso, mas eu entendo: eu estava com eles todos os dias e não gostavam de ver-me envelhecer. Uma vez o meu filho disse-me “que triste, mãe, eu conheci-te assim com o cabelo escuro, agora tens o cabelo branco”. E eu disse-lhe “mas todos nós estamos a envelhecer”. Quando nos vemos todos os dias é diferente. Entretanto separei-me da Companhia, fui para Grândola dois anos e foi uma coisa estranha também.

Vai mantê-lo assim, branco?

Queria que fosse todo branquinho como o do meu pai. E ainda não está, chateia-me que não esteja, uma pessoa nunca está satisfeita com aquilo que tem. A pessoa com a idade começa a perceber o que gostava de ter, mas também percebe que não tem ainda e tem paciência para esperar. Em jovem não tem, pinta logo, ou então faz madeixas. Mas [no manter ou não manter entra] sempre a questão da manutenção. Não tenho dinheiro para isso, é muito difícil ficar sempre com o cabelo bonito sem uma manutenção pelo menos mensal. Nos Estados Unidos nunca tive esse hábito de ir ao cabeleireiro, isso é mais europeu. As pessoas gostam de estar bem, de se sentirem bem consigo próprias. E às vezes quando uma pessoa já não trabalha, as crianças já cresceram e não existe uma ocupação, olha para si e a única coisa que resta é ir ao cabeleireiro tratar do cabelo, das unhas, arranjar-se e ir jantar fora. E vejo que há mulheres que têm o cabelo natural porque não têm dinheiro para o ter pintado. Se houvesse alguém que lhes dissesse “ficas bem assim”, que lhe fizesse um elogio, talvez já se preocupassem mais com a saúde e a cabeça e não tanto com o cabelo branco.

"Vejo que há mulheres que têm o cabelo natural porque não têm dinheiro para o ter pintado. Se houvesse alguém que lhes dissesse 'ficas bem assim', que lhe fizesse um elogio, talvez já se preocupassem mais com a saúde e a cabeça e não tanto com o cabelo branco."

Kimberley Pearl 
Viu o cabelo como um sinal de que estava a envelhecer?

Não. O corpo também está sempre contra nós, no geral. Já não consigo levantar a perna — penso que ela está aqui [aponta para a altura da sua orelha], olho ao espelho e está aqui [aponta para a altura do ombro]. Doem-me as costas, não tenho musculatura. Pesa um bocadinho ver pessoas com 18 e 19 anos que conseguem fazer isso. Mas por outro lado ganham-se outras coisas. Ganho a capacidade de pôr um estilo que eu não tinha com 21 anos como tinha com 40. E mesmo agora, faço muito mais braços e consigo mexer-me muito mais com estabilidade do que quando tinha 23 anos. Para nós mulheres há sempre alguma coisa que não está bem. Com o cabelo, por exemplo, eu percebi que não podia andar a brincar e experimentar — cortava e crescia como um arbusto, fazia permanente, parecia uma leoa. Não somos iguais aos outros, temos de aceitar aquilo que temos e trabalhar com isso.

Fonte: Observador

Maria Santíssima, rogai por nós!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

RESPOSTA: Meu horário de trabalho me impede de fazer a catequse, o que fazer?

Salve Maria!!

Não sou batizado e infelizmente meu horário de trabalho me impede de fazer a catequese na paroquia. Há possibilidade de fazer a catequese de outra forma?

 O Código de Direito Canônico (CDC) diz:

Cân 851. A celebração do batismo deve ser devidamente preparada; assim:
Parágrafo 1. o adulto que pretende receber o batismo seja admitido ao catecumenato e, enquanto possível, percorra os vários graus até a iniciação sacramental, de acordo com o ritual de iniciação, adaptado pela Conferência dos Bispos, e segundo normas especiais dadas por ela.

E, ainda:

Cân 865. Parágrafo 1. Para que o adulto possa ser batizado, requer-se que tenha manifestado a vontade de receber o batismo, que esteja suficientemente instruído sobre as verdades da fé e as obrigações cristãs e que tenha sido provado, por meio do catecumenato, na vida cristã; seja também admoestado para que se arrependa de seus pecados.

Bem, não são todas as paróquias em que há o neocatecumenato; mas, em todas há a Catequese de Adultos.

Normalmente, percebo que essas catequeses ocorrem aos finais de semana - sábado e/ou domingo -, no entanto, há paróquias onde elas ocorrem durante a semana, no período noturno.

Vislumbro duas possíveis soluções:

1) Se tiver mais de uma paróquia na sua cidade ou uma paróquia com capelas, você pode ver se em algumas delas a catequese ocorre em horário compatível com o seu;

2) Conversar com o Pároco da sua Paróquia e relatar a situação. Ele poderá indicar uma pessoa, se ele mesmo não puder, para lhe acompanhar, lhe orientar, para que você conheça a Igreja e possa ser recebido nela através do Sacramento do Batismo (já vi isso acontecer)

Fonte: Codigo de Direito Canônico

Que Nossa Senhora interceda por você, juntamente com toda a corte celeste, seu Anjo da Guarda e o Anjo da Guarda do seu Pároco.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Elas não têm medo dos cabelos brancos (III)!

 
Assumir os cabelos brancos expõe o corpo tal como é, encarando o que nos está a acontecer a todos: envelhecer. Falámos com mulheres que tomaram essa decisão e não querem voltar atrás. 

Nos últimos anos afirmou-se várias vezes que o cinzento é o novo preto. Os mais de 50 tons de cinzento estão na moda não só na roupa, mas também no cabelo. Rihanna, Cara Delevingne ou Lady Gaga adotaram a certa altura os cabelos brancos. Pela internet, a hashtag #grannyhair revela milhares de mulheres jovens que descoloraram ou pintaram o cabelos de branco, sem que isso tenha feito delas avozinhas.

É um paradoxo fácil de perceber que os únicos cabelos brancos que não estão na moda sejam os naturais, aqueles que aparecem com a idade (ou não), os que não se escolhem como e onde devem aparecer: o ideal é a juventude e, em alguns casos, o cabelo é o primeiro a lembrar-nos que o tempo continua a correr, o futuro e a velhice são inevitáveis. “E então?”, perguntam as quatro mulheres que se seguem, entre os 45 e os 64 anos. Todas elas assumem os seus cabelos brancos de olhos fixos no inegável cronómetro e desafiadores para a sociedade. Não são invisíveis, como diz o mito das mulheres de cabelos grisalhos; pelo contrário, toda a gente repara nelas.

Mantêm o cabelo assim porque é bonito, porque não têm tempo ou dinheiro para a manutenção de um cabelo bem pintado, porque querem levantar o queixo e dizer que estão presentes como são, sem pedirem desculpas. Para todas foi uma escolha que lhes libertou a cabeça de quaisquer pressões e que nos permitiu falar do que é estético, político e da velhice.
 Ana Perez-Quiroga, 56 anos, artista plástica

Manter os cabelos brancos foi sempre uma escolha política?

Sempre foi. Há cerca de dois anos li uma entrevista da Mary Beard [historiadora e apresentadora de programas na BBC], que tem o cabelo branco e comprido, e dizia que sempre tinha sido uma questão política não pintar os cabelos mas que era profundamente criticada, que lhe mandavam e-mails a insultá-la. As pessoas sentiam-se ofendidas e agredidas por ela manter os cabelos brancos, não só homens mas também mulheres — “como é que você se atreve a ter os cabelos brancos?”. Eu venho de gerações de mulheres como a Susan Sontag que sempre tornaram isso um marco, não só de personalidade mas de confronto que afirma “eu estou aqui e eu sou assim”. De repente eu estou a reivindicar um espaço social.

Ana Pérez-Quiroga faz questão que a tratemos sempre por tu, fica assente assim que entramos em sua casa, esse lugar que para além de ser aquele que habita, é também o objeto da sua tese de doutoramento concluída há pouco, mas em constante (e quase viciante) crescimento. Fotografou todos os objetos que lá estão e por objeto entende-se tudo, com exceção dos perecíveis ou do que se vai gastando — o arroz, a fruta, o papel higiénico, os sabonetes. De resto, o privado tornou-se público no site onde exibe tudo o que há na sua casa. “Até a roupa interior, é a mesma coisa que a estender à janela”, resume. Como a casa se tornou simultaneamente espaço íntimo e público, também entende que o seu corpo vive nesta fronteira e o cabelo ajuda-nos a compreender isso.

Porque é que mantens os cabelos brancos?

A sociedade de alguma forma empurra-nos para pintarmos os cabelos. Estamos a falar das mulheres, que são altamente penalizadas pela idade que têm e quanto mais anos passam sobre elas… está associada às mulheres uma eterna juventude. É mais fácil ser um homem com mais idade do que uma mulher com mais idade — em termos de sociabilidade, no trabalho também há penalizações. E ter cabelos brancos também incorpora um discurso político — bom, qualquer ação que façamos é política. Se eu me permito ter os cabelos brancos é evidente que é um statement: eu reivindico para mim um papel que não joga o mesmo jogo social que nos é de alguma forma imposto. Em primeiro lugar sou feminista e interessa-me que este seja um espaço de liberdade: tomarmos a liberdade para o nosso corpo. É claro que sabemos perfeitamente que os cabelos brancos pesam mais, tornam a pessoa com mais idade, mas isso é uma coisa com que também vou jogando. 98% das minhas amigas que tenham a minha idade têm os cabelos pintados. As minhas amigas que pintam o cabelo não parecem ter 56 anos, eu já pareço que tenho essa idade. Depois, pelo cabelo, pela maneira como tem o cabelo arranjado e pintado, tu podes ver a classe social, porque não é uma cabeleireira qualquer que pinta bem.

"A sociedade empurra-nos para pintarmos os cabelos. Estamos a falar das mulheres, que são altamente penalizadas pela idade que têm. Está associada às mulheres uma eterna juventude. É mais fácil ser um homem com mais idade do que uma mulher com mais idade."

Ana Perez-Quiroga 
Porque o objetivo é sempre que pareça natural.

Exatamente. Então o que tu vês são os amarelos muito mal pintados, ou os castanhos e os pretos. E o cabelo está sempre a crescer, tens de pintar o cabelo quase semanalmente. É uma renda. Não quer dizer que eu tenha poupado muito dinheiro, mas de repente, quando não se joga esse jogo, começas a pensar que a quantidade de coisas que precisas para manter um cabelo saudável e bonito custam dinheiro. É uma reflexão também económica, porque se eu tivesse o cabelo pintado, também não o quereria ter mal pintado. Tive uma vez o cabelo pintado de castanho durante uns quatro meses — acabei por o cortar todo ainda mais para tirar a cor — mas durante esse tempo a manutenção dessa cor foi uma coisa super cuidada porque depois tens de ter umas máscaras e uns cremes especiais.

Com que idade começaste a ter os primeiros cabelos brancos?

Aos 18 tinha duas grandes madeixas brancas e mantive-as sempre. Só pintei o cabelo uma vez, já tinha uns 38 anos — foi para um trabalho fotográfico. Mas durante muitos anos, talvez mais de 20, usei o cabelo todo com gel para trás e apanhado com um rabo de cavalo pequenino e isso tapava um bocado esses brancos — durante muitos anos não se notava. Depois em 1998, quando foi a Expo, estava a fazer uma produção no teatro Maria Matos com o João Pedro Vale e o Nuno Alexandre Ferreira e um dia decidimos que íamos os três rapar o cabelo. Aí quando deixei de o usar apanhado e passei a usá-lo solto, apercebi-me de que estava realmente muito mais grisalho e de que todos os anos fica mais grisalho.

Qual é que foi a tua reação a esse confronto com os cabelos brancos?

Não sei… tu és confrontada com a tua idade. Depende do momento da vida em que tu estás — se estás mais débil na tua auto-estima ou não. Esse confronto pela primeira vez não me custou absolutamente nada. É claro que às vezes uma pessoa está com a auto-estima ligeiramente mais baixa porque teve algum problema emocional ou outra coisa qualquer e talvez isso seja motivo para perceber “ah! estou muito mais velha”. Penso que só se começa a dar por isso a partir dos 40. Eu tinha uma visão perfeita para o longe e para o perto e a partir dos 41 anos o músculo dos olhos perde esta elasticidade e começas a ter de usar óculos. É nesse momento em que começas a confrontar-te com o teu corpo que aos poucos já não está a acompanhar a tua cabeça que dispara. Aos 41, quando tive de pôr óculos parecia-me tudo banal, mas agora, a partir dos 54, 55, começa a notar-se que há pequeninas falhas no corpo — já não corro os quilómetros que corria, antigamente trazia duas bilhas de gás pelas escadas. Há uma falência desta vitalidade. O cabelo é um bocadinho o resultado.

Na altura em que te apercebeste do cabelo branco ponderaste pintá-lo?

Não, nunca ponderei.

No teu dia-a-dia tens a experiência da Mary Beard?

Não, diretamente eu não sinto que me tratam pior, nunca fui julgada. Mas penso que mais uns anos e posso vir a ser.

Porquê daqui a mais alguns anos?

Porque de repente temos mais rugas, parecemos mais velhas e o cabelo branco marca sempre ainda mais a idade. Vêm sempre as perguntas: pões o botox ou não pões o botox, pintas o cabelo ou não pintas o cabelo?

No fundo a pergunta é o que fazemos à velhice.

Sim, e é isso que combato. Cada vez mais estamos a esconder os idosos, cada vez há menos respeito por alguém mais velho. Eu passo meses na China e lá tens um grande respeito pelas pessoas que são os teus avós ou que são de uma outra faixa etária e que detêm o saber. Como é que nós, de repente, vivemos nessa ideia um bocadinho americana de que a experiência destas pessoas não é validada. No Oriente ainda se valoriza a experiência que é de uma vida, da sua compreensão, mas também de um gesto: para o mestre de sushi de 97 anos o que importa é o gesto. Ele repete o mesmo gesto há 80 anos, é um gesto perfeito.
 
Como é que te sentes ao lado das pessoas da tua idade que pintam o cabelo?

É evidente que destoo.

E gostas disso?

É a minha personalidade, mas isso também se paga.

Como?

O olhar social é um olhar diferente, não te sei explicar muito bem. Especialmente em outros meios mais pequenos, fora daqui de Lisboa.

"Sabemos perfeitamente que os cabelos brancos pesam mais, tornam a pessoa com mais idade, mas isso é uma coisa com que também vou jogando. 98% das minhas amigas que tenham a minha idade têm os cabelos pintados. As minhas amigas que pintam o cabelo não parecem ter 56 anos, eu já pareço que tenho essa idade."

Ana Perez-Quiroga 
Sendo a questão política tão importante para ti, se não te achasses bonita com o cabelo assim, pintarias?

Não sei como responder-te… é uma coisa que vem de um bem-estar interior. Se a minha auto-estima estiver um bocadinho mais em baixo, é claro que me sinto menos forte. E nesse dia se calhar penso: “se eu não tivesse o cabelo branco se calhar sentia-me melhor, ou mais nova, com mais vitalidade”. Mas não sei muito bem responder.

Nunca pensas em voltar a pintar?

Quando pintei não achei nada de especial. Achei que prefiro o cabelo como está. Acho mais interessante, mais forte. Acho bonito. Acho que as mulheres quando pintam o cabelo, por muito bem pintado que esteja, de alguma forma tornam-se mais iguais. Assim tem mais carácter, mais power.
Fonte: Observador
Maria Santíssima, rogai por nós!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

RESPOSTA: Adultos precisa de padrinho para ser batizado? Uma pessoa q não é batizada, como deve fazer para ser padrinho de um bebê?

 Isabella Fiorentino recebendo o Sacramento do Crisma (ou Confirmação) ao lado da madrinha

Salve Maria!!!

Hoje vou responder a duas perguntas, feitas de uma única vez.

Adultos precisa de padrinho para ser batizado?? É uma pessoa q é católica praticante, mais não é batizada, como ela deve fazer para ser padrinho de um bebê?? 

Vamos a resposta da primeira:

Adultos precisa de padrinho para ser batizado??

Precisa!
O adulto não batizado ao final da catequese receberá todos os Sacramentos da Iniciação Cristã, ou seja:
1) Será batizado (precisa de padrinho e/ou madrinha);
2) Fará a Primeira Comunhão (sacramento da eucaristia);
3) Receberá o Crisma ou a Confirmação do Batismo (precisa de um padrinho OU uma madrinha).

Assim, ele tanto vai precisar de padrinhos para ser batizado, como para ser crismado.

O Código de Direito Canônico determina que:

"Cân 872. Ao batizando, enquanto possível, seja dado um padrinho, a quem cabe acompanhar o batizando adulto na iniciação cristã... Cabe também a ele ajudar que o batizado leve uma vida de acordo com o batismo e cumpra com fidelidade as obrigações inerentes."

"Cân 892. Enquanto possível, assista ao confirmando um padrinho, a quem cabe cuidar que o confirmado se comporte como verdadeira testemunha de Cristo e cumpra com fidelidade as obrigações inerentes a esse sacramento."
(...)
Parágrafo 2. É conveniente que se assuma como padrinho o mesmo que assumiu esse encargo no batismo"

Detalhe: O padrinho/madrinha devem ser católicos CRISMADOS!

Vamos a segunda pergunta:

É uma pessoa q é católica praticante, mais não é batizada, como ela deve fazer para ser padrinho de um bebê??

Inicialmente, faz-se necessário esclarecer algo.

Conforme o Código de Direito Canônico:

Cân 849.O batismo, porta dos sacramentos, em realidade ou ao menos em desejo necessário para a salvação, pelo qual os homens se libertam dos pecados, são de novo gerados como filhos de Deus e se incorporam à Igreja, configurados com Cristo por caráter indelével, só se administra validamente pela ablução com água verdadeira, juntamente com a devida forma verbal."

Assim, pessoa que não é batizada na Igreja Católica, mesmo que frequente as missas, não é AINDA cristã-católica. 

"O Batismo incorpora à Igreja. (...)
Incorporados à Igreja pelo Batismo, os fiéis receberam o caráter sacramental que os consagra para o culto religioso cristão" 
(Catecismo da Igreja Católica n. 1267 e 1273)

O católico praticante é aquele que, além de ser batizado e de frequentar as Santas Missas, se aproxima também dos outros sacramentos (Comunhão, Crisma, Penitência).

No caso relatado, essa pessoa, no máximo, recebeu o batismo de desejo, mas não pode receber nenhum outro sacramento (não pode comungar, não pode confessar, não pode crismar).

"Suponhamos que uma pessoa que ainda não tenha podido ser batizada (um converso, talvez, que ainda não tenha completado a sua instrução cristã) faz um ato perfeito de amor a Deus. Todos os pecados, incluído o pecado original, são perdoados imediatamente. É o que chamamos de batismo de desejo. Mas essa pessoa não pode receber ainda nenhum outro sacramento." 
(A Fé Explicada, Leo J. Trese)

Como ela deve fazer para ser padrinho?

Ela deve procurar, imediatamente, a Paróquia que frequenta e se inscrever na Catequese de Adultos.
(Normalmente nessa época as inscrições estão abertas ou acabou de iniciar a catequese, que ocorre no inicio de cada ano)

A Catequese de Adultos dura, no geral, um ano (pode ser em menor tempo em algumas paroquias).
Ao final desse ano, ela será batizada, fará a primeira comunhão e receberá o crisma.
Assim, poderá ser padrinho/madrinha de batismo e de crisma.

Para ser Padrinho/Madrinha a pessoa deve ter mais de 16 anos, ser CRISMADA, ter feito a primeira comunhão, levar uma vida conforme a fé (Cân 874, do Código de Direito Canônico).

Fonte: Código de Direito Canônico, Catecismo da Igreja Católica e Livro A Fé Explicada de Leo J. Trese


Que Nossa Senhora de Fátima nos abençõe.
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