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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O modo de comungar: Qual é o correto?

Este tema, aparentemente simples, foi objeto de grandes controvérsias ao longo da história da Igreja, e sofreu diversas alterações em seu transcurso. Ele engloba os seguintes aspectos: 1. A comunhão na mão ou na boca; 2. A comunhão sob as duas espécies; 3. A comunhão fora da Missa; 4. A frequência da comunhão. Trataremos de cada um deles.

Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu o sacrifício sacramental de seu Corpo e de seu Sangue na forma e sob os sinais decomida e bebida, quando pronunciou as palavras “tomai e comei” e “tomai e bebei”. Inclusive o mandato aos apóstolos “fazei isto em memória de Mim” não se referia apenas a que eles reatualizassem o sacrifício, mas também que participassem do mesmo.

De fato, a Igreja sempre entendeu que a comunhão era parte integrante do Sacrifício, segundo podemos comprovar com Comunhao...jpgtestemunhos muito antigos, tal como a primeira carta de São Paulo aos coríntios e boa parte da Tradição Apostólica, além da prática multissecular, nunca interrompida, de exigir a comunhão, ao menos do ministro, na celebração da Missa.

Entretanto, surgiram diversas dificuldades, como acima mencionamos, e que a Igreja teve que resolver. Talvez a mais antiga seja a questão da comunhão na boca ou na mão.

1. Comunhão na mão ou na boca?

As monumentais fontes literárias dos nove primeiros séculos atestam unanimemente a práxis de receber a comunhão na mão como norma geral.

Desde os séculos IX ao XII deixa de ser a prática habitual e no século XIII quase desapareceu completamente.

Parece que as causas mais importantes da mudança são: a preocupação em defender a Eucaristia de erros supersticiosos, portanto evitar que as pessoas levassem a Sagrada Hóstia consigo; a defesa do significado transcendente da Eucaristia contra as ideias confusas dos povos bárbaros que se converteram em massa, e aumentar assim o respeito pelas Sagradas Espécies; e a crescente reverência para com a Eucaristia, para que só mãos consagradas as tocassem.

Este novo costume esteve vigente até depois do Vaticano II. Por causa de ilegalidades nesta matéria, algumas conferências episcopais solicitaram de Roma um critério orientador. Então, a Congregação para o Culto Divino promulgou a instrução Memoriale Domini[1], sobre o modo de administrar a comunhão, estabelecendo que a comunhão na boca permanecia como norma geral vigente. Sem embargo, se permitia que as Conferências Episcopais solicitassem de Roma autorização para dar a comunhão na mão.

2. Comunhão sob as duas espécies

Outro problema que surgiu na Idade Média foi a questão da comunhão sob as duas espécies, que foi a forma ordinária no Ocidente até o século XII e se conserva até hoje invariável no Oriente. Seria, sem embargo, errôneo pensar que durante estes primeiros séculos existisse a proibição de comungar somente sob uma espécie, ou que nunca se praticou isto, pois sabemos que os enfermos recebiam a comunhão apenas sob a espécie do pão e as crianças recém nascidas somente sob a espécie do vinho.

A mudança que houve, no Ocidente, deste costume, deve-se a uma maior veneração à Sagrada Eucaristia, para evitar que se derramasse o Preciosíssimo Sangue, além de motivações de ordem higiênicas.

Posteriormente surgiram motivos de caráter dogmático, já que o concílio de Trento teve que reafirmar, contra os protestantes, que a comunhão sob as duas espécies não era de direito divino, e que quem comungasse de qualquer das duas espécies recebia o Cristo total. Para salvaguardar a fé do povo cristão, proibiu-se dar a comunhão aos leigos sob a espécie do vinho[2], para deixar patente que Nosso Senhor Jesus Cristo estava totalmente presente no menor dos fragmentos da Sagrada Hóstia.

O concílio Vaticano II restaurou esta práxis dos primeiros séculos “nos casos que a Sé Apostólica determine (…), por exemplo aos ordenandos na Missa de sua ordenação, aos professos, na Missa de sua profissão; aos neófitos, na Missa que segue seu batismo” (SC, 55).

Depois do Concílio, vários documentos pontifícios se ocuparam desta questão. Os mais importantes são: Ritus communionis sub utraque specie[3],as instruções Eucharisticum Mysterium[4] e OGMR[5].

domingo, 17 de dezembro de 2017

Catequese do Santo Papa: A Santa Missa IV


 
PAPA FRANCISCO

AUDIÊNCIA GERAL
Sala Paulo VI
Quarta-feira, 13 de dezembro de 2017



Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Retomando o caminho de catequeses sobre a Missa, hoje perguntemo-nos: por que ir à Missa aos domingos?

A celebração dominical da Eucaristia está no centro da vida da Igreja (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2177). Nós, cristãos, vamos à Missa aos domingos para encontrar o Senhor Ressuscitado, ou melhor, para nos deixarmos encontrar por Ele, ouvir a sua palavra, alimentar-nos à sua mesa e assim tornar-nos Igreja, isto é, seu Corpo místico vivo no mundo.

Compreenderam isto, desde o princípio, os discípulos de Jesus, que celebraram o encontro eucarístico com o Senhor no dia da semana ao qual os judeus chamavam “o primeiro da semana” e os romanos “dia do sol”, porque naquele dia Jesus tinha ressuscitado dos mortos e aparecido aos discípulos, falando com eles, comendo com eles, concedendo-lhes o Espírito Santo (cf. Mt 28, 1; Mc 16, 9.14; Lc 24, 1.13; Jo 20, 1.19), como ouvimos na Leitura bíblica. Também a grande efusão do Espírito no Pentecostes teve lugar no domingo, cinquenta dias depois da Ressurreição de Jesus. Por estas razões, o domingo é um dia santo para nós, santificado pela celebração eucarística, presença viva do Senhor entre nós e para nós. Portanto, é a Missa que faz o domingo cristão! O domingo cristão gira em volta da Missa. Que domingo é, para o cristão, aquele no qual falta o encontro com o Senhor?

Existem comunidades cristãs que, infelizmente, não podem beneficiar da Missa todos os domingos; no entanto, também elas, neste dia santo, são chamadas a recolher-se em oração em nome do Senhor, ouvindo a Palavra de Deus e mantendo vivo o desejo da Eucaristia.

Algumas sociedades secularizadas perderam o sentido cristão do domingo iluminado pela Eucaristia. Isto é pecado! Em tais contextos é preciso reavivar esta consciência, para recuperar o significado da festa, o significado da alegria, da comunidade paroquial, da solidariedade e do descanso que revigora a alma e o corpo (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 2177-2188). De todos estes valores a Eucaristia é a nossa mestra, domingo após domingo. Por isso, o Concílio Vaticano II quis reiterar que «o domingo é, pois, o principal dia de festa a propor e inculcar no espírito dos fiéis; seja também o dia da alegria e do repouso, da abstenção do trabalho» (Const. Sacrosanctum concilium, 106).

A abstenção dominical do trabalho não existia nos primeiros séculos: é uma contribuição específica do cristianismo. Por tradição bíblica, os judeus descansam no sábado, enquanto na sociedade romana não estava previsto um dia semanal de abstenção dos trabalhos servis. Foi o sentido cristão do viver como filhos e não como escravos, animado pela Eucaristia, que fez do domingo — quase universalmente — o dia do descanso.

Sem Cristo estamos condenados a ser dominados pelo cansaço do dia a dia, com as suas preocupações, e pelo medo do amanhã. O encontro dominical com o Senhor dá-nos a força para viver o presente com confiança e coragem, e para progredir com esperança. Por isso nós, cristãos, vamos encontrar-nos com o Senhor aos domingos, na celebração eucarística.

A Comunhão eucarística com Jesus, Ressuscitado e Vivo eternamente, antecipa o Domingo sem ocaso, quando já não haverá cansaço nem dor, nem luto, nem lágrimas, mas só a alegria de viver plenamente e para sempre com o Senhor. Inclusive sobre este abençoado descanso nos fala a Missa dominical, ensinando-nos, no decorrer da semana, a confiar-nos nas mãos do Pai que está no Céu.

Como podemos responder a quem diz que não é preciso ir à Missa, nem sequer aos domingos, porque o importante é viver bem, amar o próximo? É verdade que a qualidade da vida cristã se mede pela capacidade de amar, como disse Jesus: «Disto todos saberão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35); mas como podemos praticar o Evangelho sem haurir a energia necessária para o fazer, um domingo após o outro, na fonte inesgotável da Eucaristia? Não vamos à Missa para oferecer algo a Deus, mas para receber dele aquilo de que verdadeiramente temos necessidade. Recorda-o a oração da Igreja, que assim se dirige a Deus: «Tu não precisas do nosso louvor, mas por um dom do teu amor chamas-nos a dar-te graças; os nossos hinos de bênção não aumentam a tua grandeza, mas obtém para nós a graça que nos salva» (Missal Romano, Prefácio comum IV).

Em síntese, por que ir à Missa aos domingos? Não é suficiente responder que é um preceito da Igreja; isto ajuda a preservar o seu valor, mas sozinho não basta. Nós, cristãos, temos necessidade de participar na Missa dominical, porque só com a graça de Jesus, com a sua presença viva em nós e entre nós, podemos pôr em prática o seu mandamento, e assim ser suas testemunhas credíveis.

Fonte: Vaticano

sábado, 16 de dezembro de 2017

Idoso não é objeto!




Estou indignado e deixo aqui o meu protesto. 
Quero alertar uma sociedade inteira a respeito do teor agressivo deste material que recebi. 
Gente, a pessoa idosa não é um produto. 
Não é um objeto. 
Por favor, mais amor e sensibilidade com nossos idosos. 

IDOSO NÃO É OBJETO


Jesus, Maria e José, Nossa Família Vossa É!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

RESPOSTA: Para batizar é nescessario confessar?

Ave Maria!

para batizar é nescessario si confessar?

Em regra, não! 

Cân. 849 — O baptismo, porta dos sacramentos, necessário de facto ou pelo
menos em desejo para a salvação, pelo qual os homens são libertados dos pecados,
se regeneram como filhos de Deus e, configurados com Cristo por um carácter
indelével, se incorporam na Igreja, só se confere validamente pela ablução de água
verdadeira com a devida forma verbal.

1263. Pelo Baptismo todos os pecados são perdoados: o pecado original e todos os pecados pessoais, bem como todas as penas devidas ao pecado. Com efeito, naqueles que foram regenerados, nada resta que os possa impedir de entrar no Reino de Deus: nem o pecado de Adão, nem o pecado pessoal, nem as consequências do pecado, das quais a mais grave é a separação de Deus. 
(Catecismo da Igreja Católica)

Como a maioria das pessoas são batizadas na Igreja Católica ainda crianças-bebês, elas não tem como confessar-se.

No entanto, quando já adulto a coisa muda um pouco.

Cân. 865 —§1. Para o adulto poder ser baptizado, requer-se que tenha manifestado a vontade de receber o baptismo e tenha sido suficientemente instruído
sobre as verdades da fé e as obrigações cristãs e haja sido provado, mediante o
catecumenado, na vida cristã; seja também advertido para se arrepender dos seus
pecados.
 
Cân. 866O adulto que é baptizado, se não obstar uma causa grave, seja
confirmado logo depois do baptismo e participe na celebração eucarística, recebendo também a comunhão.

Desta forma, se você não é batizado, provavelmente, irá fazer a Catequese de Adultos (ou de Crisma). E, após a mesma, receberá todos os Sacramentos da Iniciação Cristã, provavelmente, no mesmo dia!

Os Sacramentos da Iniciação Cristã são:

- Batismo: não precisaria de confissão;
- Eucaristia (Comunhão): precisa de confessar-se antes;

Cân. 916Quem estiver consciente de pecado grave não celebre Missa nem
comungue o Corpo do Senhor, sem fazer previamente a confissão sacramental,
a não ser que exista uma razão grave e não tenha oportunidade de se confessar;
neste caso, porém, lembre-se de que tem obrigação de fazer um acto de Contrição
perfeita, que inclui o propósito de se confessar quanto antes.

- Crisma ou Confirmação do Batismo: precisa de confessar-se antes.

1310. Para receber a Confirmação é preciso estar em estado de graça. Convém recorrer ao sacramento da Penitência para ser purificado, em vista do dom do Espírito Santo. E uma oração mais intensa deve preparar para receber com docilidade e disponibilidade a força e as graças do Espírito Santo.
(Catecismo da Igreja Católica)

Assim, no caso do Adulto que irá se batizar ele deve sim procurar aproximar-se do Sacramento da Penitência, uma vez que também receberá (se não tiver impedimento, claro) os outros dois Sacramentos: Eucaristia e Crisma!

Além disso, é bom deixar claro que TODO CATÓLICO, portanto, quem foi batizado na Igreja Católica, é OBRIGADO a CONFESSAR-SE, após a "idade da razão" - 7 ANOS, pelo menos UMA VEZ AO ANO!

Cân. 989 — Todo o fiel que tenha atingido a idade da discrição, está obrigado
a confessar fielmente os pecados graves, ao menos uma vez ao ano.
 
Fonte: Código de Direito Canônico e Catecismo da Igreja Católica
 
Se ainda tiver dúvidas, sugiro que procure o Pároco da sua Paróquia para ele possa lhe orientar melhor a respeito.
De toda sorte, os catequistas quando durante a Catequese devem orientar sobre a Confissão.
 
São João da Cruz, rogai por nós!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Mulheres assumem os fios brancos cada vez mais jovens

Cultivar fios com essa tonalidade virou opção para as cabeças femininas. Capixabas assumem os cabelos grisalhos e contam suas histórias

Há um ano Karla Giaretta exibe os cabelos brancos: em caráter definitivo
Foto: Vitor Jubini
A mudança radical veio assim que Karla Giaretta voltou da lua de mel. Ela tinha 21 anos e queria fazer um corte no cabelo. Já no salão, o cabeleireiro fez um rabo de cavalo e passou a tesoura num comprimento enorme dos fios. Desde então ela aderiu ao cabelo curto. Mas a surpresa mesmo veio após dois anos: os fios começaram a nascer brancos. O que no momento foi um desespero, tempos depois se tornou uma libertação para Karla. Há um ano ela assumiu definitivamente os cabelos brancos. “Ele me deixou com uma aparência mais leve. Como tenho um rosto pequeno, combinou. Sempre fui na contra-mão da maioria das mulheres. Quando quase todo mundo usava cabelo loiro e longo, o meu era curto e preto. Assumi um grito de liberdade e deixei ao natural”, conta a designer de interiores.

Aos 47 anos ela carrega um cabelo curto num corte supermoderno. Mas para assumi-lo ela precisou se sentir segura. “Na primeira vez, quando cheguei em casa com o cabelo raspado, a minha filha falou: ‘O que você fez, mãe?’”, lembra. A aparência, no início, assustou muita gente. “A princípio as pessoas achavam que eu estava doente e tinham um olhar piedoso. Algumas pessoas, que sabiam que eu não estava doente, achavam que eu tinha estilo para carregar o cabelo. É algo que você tem que saber carregar”, diz.

A resistência ainda é grande. Mas, atualmente, o cabelo branco não é uma licença poética restrita às avós: cultivar tons prateados virou opção de muitas mulheres do Estado. No caminho oposto de quem insiste em afirmar que mechas grisalhas envelhecem, uma turma descolada (e desencanada) assume os fios brancos cada vez mais cedo. Com um detalhe: cheias de estilo.

A onda prateada é protagonizada por mulheres de personalidade forte, bem-humoradas e que têm um discurso pautado pela pacífica aceitação da passagem do tempo. Envelhecer como manda a mãe natureza virou um libertação.

Foi exatamente essa a sensação de Karla Giaretta. “Queria mesmo era me livrar da tinta. Sou uma pessoa hiperativa e ficar duas horas no salão para pintar o cabelo sempre foi inquietante. Ao me assumir fiquei mais livre. Mas é preciso ficar claro que, na essência da coisa, quero dizer que me importo muito mais com o que as pessoas têm por dentro”, conta ela, que atualmente só lava e corta os cabelos.

Mas essa decisão nem sempre é fácil, mesmo para as descoladas. “Os homens dizem que eu tenho que pintar. Mas boa parte das mulheres fala que queriam ter a minha coragem. Hoje não sei porque pintei o meu cabelo de escuro durante tantos anos. Estou adorando viver esse momento”.


Elegância
Os fios de Solange Resende começaram a mudar de cor em 2008, quando ela perdeu o irmão
Foto: Carlos Alberto Silva
Na Inglaterra, onde tintura não faz a cabeça das mulheres da família real, uma pesquisa apontou que 32% das britânicas apresentam mechas brancas antes de chegar aos 30. No Brasil, não há estudo recente sobre o tema, mas a moda das ruas acompanha a tendência internacional. A despigmentação capilar (que acontece devido à falta de formação de melanina) é associada à hereditariedade e a fatores como alimentação, problemas hormonais, hábitos como fumar e ingestão de bebida alcóolica em excesso, poluição e falta de hidratação capilar, explica o dermatologista Karina Mazzini. “Outro ponto é a exposição contínua à radiação solar, que ajuda no surgimento de radicais livres que comprometem a síntese de melanina”, diz.

A médica explica ainda que cada pessoa tem um ritmo e capacidade próprios de produzir a melanina. Por isso, o aparecimento do cabelo branco é mais influenciado pela genética do que pela cor da pele. “Podemos ver jovens que apresentam cabelos brancos enquanto outras pessoas com mais de 50 anos mantêm sua cor natural. Apesar de a cor da pele não ser um fator determinante, temos uma diferenciação na idade em que eles aparecem. Normalmente, as pessoas brancas começam a ter fios brancos depois dos 30 anos e negros a partir dos 40. Em geral, as pessoas passam a ter uma quantidade significativa de cabelos grisalhos após os 50 anos”.

Aos 63 anos, a advogada Solange Resende carrega uma linda cabeleira grisalha. Foi após ficar abalada com a morte repentina de um irmão, em 2008, que seus fios começaram a mudar de cor. “O ocorrido me abalou e meu cabelo caiu muito. Após me consultar com um dermatologista passei a tomar vitamina e os fios começaram a nascer brancos”.

Logo depois ela foi no salão que frequenta há 39 anos e o cabeleireiro deu o veredito que era preciso pintar. “Você é uma executiva”, argumentou. Ela rebateu: “Como não posso prosseguir assim? Não mexi e fui me acostumando. Nunca pintei para corrigir o branco”, conta.

A advogada conta que não se surpreendeu ao se ver pela primeira vez no espelho. “Minha reação foi tranquila”. Já a das amigas foi bem diferente. “Algumas falaram que, com esse cabelo, eu estava envelhecendo. Eu não concordo, olho o lado construtivo de que sempre estou tendo mais um dia de vida”, diz.

Solange é uma mulher elegante que gosta de conforto. Com tantas cobranças, ela diz: “Enjoei da escravidão da tintura. Ao longo do tempo fui vendo que meu cabelo é uma forma de afirmação é ratificação de quem eu sou. Mas é muita pressão, se não tiver firmeza a gente cede”.


Beleza aos 60
A empresária Marcia Bumachar decidiu assumir os fios esbranquiçados há apenas seis meses
Foto: Marcelo Prest
Ceder é tudo que elas não querem, pois se sentem muito bem do jeito que estão. Se na Europa é comum ver mulheres de cabeça branca, por aqui ainda não é comum. A psicóloga e especialista em felicidade Angelita Scardua explica que na cultura latina o atributo da mulher sempre foi a beleza. “É uma mentalidade machista, onde o que importa é ser bonita, ajeitada e ser jovem. Por isso, o cabelo branco está associado a envelhecimento, falta de vaidade e de atividade social. Ter cabelo branco afasta essa mulher do ideal de juventude. E isso pesa muito”.

A empresária Marcia Bumachar, 60 anos, decidiu assumir os cabelos brancos há apenas seis meses. “Assumir os cabelos brancos é sair da escravidão, é ter a liberdade de se mostrar como é, mostrar como o tempo a transformou, é aceitar os ciclos da vida e ganhar tempo e praticidade. Enfim, é a libertação dos padrões impostos”, conta.

Ela, que sempre teve cabelos escuros, passou por um processo de transformação. “Quando meus brancos começaram a aparecer, fazia intervenções com uma tintura da mesma tonalidade dos fios naturais. Mas sempre questionava: por que homens de cabelos brancos ou grisalhos são considerados charmosos e elegantes e nós para, mulheres, assumir a passagem do tempo é um atestado cruel da idade e sinal de desleixo!?”, lembra Márcia.

Ela não se descuida, tanto que continua indo ao cabeleireiro e redobrou os cuidados pessoais. “Cabelos brancos exigem um visual bem tratado para a mulher não ficar com a aparência desleixada. Depois que adotei meus fios brancos, naturalmente construí um exercício diário de carinho comigo mesma. Foi ótimo para minha autoestima”.


Fios brancos desde os 18 anos
Há quatro anos Karla Barros parou com a tintura e adotou as madeixas brancas
Foto: Fernando Madeira
Para Angelita Scardua, num mundo onde é valorizado a juventude e a beleza, a atitude de se aceitar é muito bacana. “O importante é a gente poder ser o que quiser, sem ter que disfarçar. Não existe um só caminho possível. O importante é não vivermos um policiamento estético. O importante é a pluralidade e diversidade”, ressalta.

Dona de alguns fios brancos desde os 18 anos de idade, a empresária Karla Barros já teve diversos tipos de cabelos. “Ele já esteve dourado, com mechas mais escuras, platinado e descolorido. E como os fios brancos começaram a aparecer cedo, comecei a pintar”, lembra.

Há quatro anos ela parou com a tintura e assumiu os fios brancos. “Me senti satisfeita, agi com naturalidade. Sou adepta de uma vida natural. Não uso pílula, fiz parto normal e acho que o cabelo tinha que seguir o mesmo estilo de vida”, explica.

Ela, que ficava nove horas no salão de beleza para descolorir os fios, aposentou as tinturas de vez. “Culturalmente o cabelo branco não é bem-visto. Mas gosto da imagem, é um estilo diferente. Vejo meu cabelo como estiloso. Mas todo mundo acha que faço luzes com mecha, que não é natural.”

Aos 38 anos, ela conta que ainda hoje tem pessoas que se espantam e dizem que ela tem que pintar. Mas nem liga. Para os cuidados, Karla usa xampu neutro e de cor branca. “O cabelo branco tende a ficar amarelado. O tratamento é parecido com o do loiro”, diz a mais nova das entrevistas. Mesmo sendo tão nova, colorir os fios está fora de cogitação. “Todas as vezes que pensei em pintar o meu marido pediu para continuar com cabelo branco. Ele me acha sexy assim, diz que demonstra que sou uma mulher corajosa e atraente”.
 
 Fonte: Revista.AG
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